27 agosto, 2012

Paizinhos em Blumenau-SC

Nossa estória volta aos palcos participando de um dos festivais de teatro para crianças mais importantes do Brasil, o FENATIB.

É muito bom voltar com um dos espetáculos mais afetuosos da Cia. do Abração!!!

Um VIVA a esses Muitos Paizinhos!!!!

Segue o link do festival: http://www.fenatib.com.br/29_tcg.html



10 julho, 2009

FESTIVAL DE INVERNO DE ANTONINA


Na próxima semana, dia 14 de julho, nossas Estórias Brincantes vão esquentar o Festival de Inverno da UFPR em Antonina. Não é a primeira obra para crianças da Cia do Abração que atravessa a serra do mar e sobe ao palco do Theatro Municipal de Antonina. Antes de Muitos Paizinhos, Estórias Brincantes de Muitas Mainhas e O Trenzinho do Caipira se apresentaram no Festival. Se você vai ao Festival está convidado a prestigiar nosso espetáculo, a entrada é franca.

SERVIÇO
THEATRO MUNICIPAL DE ANTONINA
14 DE JULHO DE 2009
ÀS 12H30M
ANTONINA - PR

16 junho, 2009

I PEQUENO GRANDE ENCONTRO

No mês de julho, a CAIXA CULTURAL apresentará o I PEQUENO GRANDE ENCONTRO de Teatro para Crianças de todas as idades. Este evento, promovido pela Cia. do Abração, será uma oportunidade de compartilhar a produção teatral dos mais destacados grupos de pesquisa de teatro dirigido à infância e juventude da cidade. Curitiba é palco e também vitrine de grandes montagens teatrais, principalmente por realizar o Festival de Teatro de Curitiba. Mas percebe-se que a cidade já não dispõe de uma atenção especial ao teatro que se faz para crianças, como o fazia em outros tempos.
É pensando nesta questão que este evento, depois de mais de 30 anos, volta às atenções ao teatro feito para crianças, propondo a criação de um espaço novo, onde se possa mostrar, refletir e repensar esta linguagem tão especial na formação de novas sensibilidades. O evento acontecerá no Teatro da Caixa, em Curitiba, de 02 a 12 de julho (de quinta a domingo).

GRADE DE APRESENTAÇÕES DE ESPETÁCULOS:

DATA

ESPETÁCULO

COMPANHIA

HORÁRIO

02/07/09

O Trenzinho do Caipira

Cia. do Abração

19:30

03/07/09

MMM – A Montanha do Meio do Mundo

Obragem Teatro e Cia

19:30

04/07/09

OLHO d'Água

Cia.Pé no Palco

16:00 horas

05/07/09

Sonho de Uma Noite de Verão

Cia. do Abração

11:00 horas

05/07/09

Um Mundo debaixo do Meu Chapéu

Cia. do Abração

16:00 horas

09/07/09

Terezinha – uma história de amor e perigo

Cia. Filhos da Lua

19:30

10/07/09

Ópera de Carvão e Flor

Cia. Filhos da Lua

19:30

11/07/09

E Se...

Tato Criação Cênica

16:00 horas

12/07/09

Estórias Brincantes de Muitas Mainhas

Cia. do Abração

11:00 horas

12/07/09

Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos

Cia. do Abração

16:00 horas

28 novembro, 2008

sobre o processo

Para mim esse processo começou quando terminou o ESTÓRIAS BRINCANTES DE MUITAS MAINHAS, durantes as primeiras conversas com a Latícia sobre a versão de estórias brincantes com o tema pais, aos poucos vieram mais informações, até chegarmos ao tripé: PAI, PAÍS e PAZ.
O grupo de estudos trouxe muitas referências e caminhos. De acordo com a história pessoal de cada um de nós e também da maneira como imaginavamos e gostariamos que fosse essa estória. Os livros trazidos pelo Guga e sugeridos no grupo, alimentaram de forma poética a nossa pesquisa, nos inspirando a também produzir poemas e textos (os primeiros deste blog). Essa pluralidade de fontes de investigação é uma das características mais fortes do grupo de estudos e que se mantém durante o processo de criação. Outra função importantíssima é a de lançar perguntas. É esclarecedor, muitas vezes instigante, nos faz refletir sobre nossa arte. As perguntas geralmente não vêm seguidas de respostas e sim, de mais perguntas e continuam no trabalho de criação, porém com um pouco mais de foco, eu disse um pouco mais. Quando se trabalha com criação coletiva, trabalha-se também com a surpresa, pois as proposições podem vir de todos os lados ou de nenhum.
Minha participação nesse processo foi um pouco diferente das outras até então vividas na Cia. do Abração, mas não menos dolorida. Não trabalhei como ator, mas como co-diretor com um olhar voltado para a estética do espetáculo, propondo, discutindo ou realizando idéias afim de costurar uma dramaturgia visual. Foi muito valiosa a experiência em vários aspectos, na compreenção, discução e definição da dramaturgia teatral. Não que agora seja mais fácil fazê-la, mais familiar eu diria.
Destaco um momento do processo onde a Letícia nos orientou (Fabiana, Helio e eu), a dirigir uma cena com o elenco, separadamente, cada um de nós recebeu um tema e o realizou de acordo com suas potencialidades. Este não foi um trabalho fácil, porém destaco o dialogo com a direção, que sempre esteve disposta a discutir, pensar e pensar e pensar sempre nos caminhos que poderiamos seguir enquanto co-diretores.
O que fica mais claro pra mim e o que me deixa mais satisfeito, além da realização de uma obra singular é o nosso processo corpo-a-corpo, café-a-café, almoço-a-almoço, a nossa disponibilidade para se conectar a um tema, a uma idéia e levá-la para onde for, sem medo de ser feliz, de discutir, de colocar nossos medos pra fora, nossas vontades, nossas vergonhas, podendo até dizer o que não gostaria que estivesse no espetáculo, acredito muito nesse tipo de processo, nada está separado, nossa vida é nossa arte e nossa arte representa nossa vida, de tal maneira que nos faz refletir dia-a-dia, passo a passo do processo, sobre qual caminho queremos seguir, o que queremos dizer com tudo isso que fazemos, para quem queremos mostrar, e como fazer, como realizar ideias simples, com poucos recursos mas alimentados de muito amor pela arte que, do nosso jeitinho, vai dando certo. E acreditando sempre, confiando sempre, sendo como tintas na mão de um pintor que tem a sua frente uma tela em branco.

27 novembro, 2008

CONCLUSÃO...

A CONCLUSÃO...

As dificuldades:

Antes de tudo foi um duro aprendizado. Daqueles que doem, que te tiram a pele. Que você sempre acha que vai jogar a toalha no meio do jogo. Em certos momentos acreditei que eu entraria para o Hall dos que não sobrevivem ao Abração. (ou não sobrevivem a si mesmos?). Pois cumprimente a arte. Que vem sempre berrar no ouvido do artista tudo o que ele quer esconder na solidão.

O que aprendi com o processo de criação coletivo do espetáculo “Estórias Brincantes de muitos Paizinhos”? (E que continuo aprendendo)

A caber dentro de mim mesma.
A entender verdadeiramente o que significa aceitar as diferenças, aceitar os indivíduos simplesmente por “serem”.
Que cada ser é um ser único, um Deus. Um Sol.
A domar minhas inseguranças, libertar minhas travas, quebrar todos os muros que insisto em levantar ao meu redor...
Acreditar, confiar, se entregar cada vez mais para o grupo. Principalmente...
Apesar de continuar acreditando no ser Só/Sol. É impossível negar, o quanto é bom trabalhar e viver nesse grupo, que é mais que um elenco de atores, muito mais que um grupo, muito mais que um clã. O Abração é um país. Um país onde cabe qualquer nação, livre e aberto a todos que queiram compartilhar a arte. No Abração todo mundo é legal (no sentido mais amplo que essa palavra pode ter).
O Abração é o meu país, é a minha família, é minha escola de samba, é minha dor, é minha cura, é o meu conflito, é o meu refugio, é a minha religião, é a minha cachaça...
E repito: apesar de continuar acreditando no ser Só/Sol, aí vai:
“Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho...”

Paizinho querido

Assistindo ao espetáculo pronto, ainda hoje, já fizemos umas 15 apresentações se não me engano, das quais todas eu pude assistir, em alguns momentos sempre me emociono, se me deixo levar pela emoção, logo uma lágrima começa a rolar. Me emociono em perceber o crescimento dos nossos “bebês”, a maneira com que cada um pôde lidar e superar suas dificuldades em relação ao tema pai transformando-as em amor e poesia; me emociono com as metáforas que desenrolam a cada cena transfigurada em amor, amor que tanto prezamos em nosso grupo, tema recorrente em todos os nossos espetáculos e que neste, o último, talvez por ser o mais novo nos parece ainda mais amoroso e delicado! Ah e como é bom deliciar-se com um espetáculo do qual você conhece cada pedacinho!

No processo de estudos teóricos partimos do tripé PAI/PAÍSES/PAZ. Muito material foi trazido suscitando reflexões tais como a nossa colonização paranaense recheada de tantas diferenças, a compreensão do nosso Brasil como um território de convivência pacifica entre vários povos; Inspiramos-nos na figura do colonizador como o semeador dando margem a várias divagações poéticas elegendo esta figura, a do semeador, como o nosso pai, o que da a vida e só por isso já lhe devemos ser gratos. Essa compreensão trouxe aos que precisavam uma possibilidade de amor verdadeiro em relação ao seu próprio pai independente dele ter sido ideal ou não. Começamos a “perdoar” nossos pais. A partir daí chegamos no biocentrismo. Seu estudo nos mostrou sob novos pontos de vista a força inerente da vida e seus ciclos. Foram trazidos também alguns textos arte educativos destacando a importância e a responsabilidade do trabalho que desenvolvemos enquanto formadores de opinião. Refletimos sobre o “bom” e o “mau” teatro e sobre qual teatro queremos fazer; sobre a necessidade de conhecer e respeitar a criança procurando, através do nosso trabalho, abrir seus horizontes na direção de um mundo onírico, profundo, sensível, poético, divertido, amoroso e verdadeiro. Procurando compartilhar também suas dores e anseios.

Durante o período de ensaios, como em todos os nossos espetáculos, trabalhamos com a com/criação – tarefa árdua onde tudo é compartilhado por todos e toda idéia deve passar pelo filtro de cada um. Dessa massa amorfa as cenas vão sendo criadas, não sem dor e exposição, dúvidas, insegurança e ansiedade. Desta vez, utilizamos um método sugerido pela direção: dividir a condução inicial das cenas entre três assistentes. A direção nos indagava sobre um tema, neste caso, um tipo de pai a ser desenvolvido e cada um de nós tinha liberdade de propor a maneira como trabalharíamos tais cenas com os atores. Esta experiência provou nossa capacidade de trabalhar em conjunto, mesmo na direção, tarefa muitas vezes deixada a cargo de uma única, solitária e por vezes egocêntrica pessoa, nossa capacidade de agregar informações, sentimentos e sensações, digerir e transfigurar tudo isso buscando a comunicação de uma obra, domando os egos e equalizando vários desejos. A prática da humildade e da generosidade, a capacidade de permitir que o outro coloque o mais de si. Neste ponto nossa diretora é voraz, voraz em tirar de cada um o máximo aprofundando a reflexão na busca de transformar a realidade em poesia e brincadeira e assim comunicar.

O trabalho de construção de personagem foi sendo conduzido aos poucos à medida que entendíamos que “tipos” seriam nossos contadores de histórias. Chegamos aos Tingas, misto de bicho e gente, seres oníricos, habitantes de florestas secas em busca de paz, alimento e de desvendar quem é o pai deste mundo. Trabalhamos com os atores buscando uma figura corporal que lembrasse bichinhos, destacando características por eles apresentadas, que lembravam animais específicos: pássaro, roedor/esquilo e felino. Uma das qualidades de movimento mais pesquisadas foi a pontuada em diversas velocidades nos interessando a mais a rápida. Esta pesquisa aparece no resultado onde vemos personagens bem dinâmicos, cada um com características próprias, porém complementares. Corpos que instigam a curiosidade da criança que assiste e se identifica com sua agilidade e esperteza.
Utilizamos diversas técnicas para a preparação corporal, desde o ballet a jogos improvisacionais e brincadeiras, animação de objetos e a busca perfeccionista da precisão - a la Wal Mayans, criando a nossa maneira de fundir técnicas, suavizando-as no resultado. O que se vê no espetáculo não é um apanhado de técnicas, mas, uma obra recheada de conteúdos corporais, vocais, e filosóficos, coerentes entre si, alicerçados numa dramaturgia que tem o que dizer e sabe do que diz. Isso só é possível por ser gerado ao longo de um processo, por uma equipe que trabalha diariamente de forma comprometida, ou seja UM GRUPO.

Nesta experiência meu maior desafio foi trabalhar como assistente de direção. Minha insegurança e ansiedade em relação ao como propor algo pro grupo foi muito grande, quebrei a cabeça de tanto pensar, até perceber que estar atento e ao mesmo tempo relaxado é um bom começo pra idéias fluírem. Não é nada fácil concretizar uma idéia, ainda mais quando se cria em conjunto, pois essa idéia deve ser dinâmica pra que se possa aproveitar o potencial de cada um, ao mesmo tempo deve ser estimulante, pra que todos se envolvam empenhados em sua realização e ainda, não podemos perder o foco, senão ela se esvai. Aí está minha dificuldade: ser firme num propósito e ao mesmo tempo flexível aproveitando todas as idéias. Em muitos momentos me senti perdida diante de um grupo por vezes imaturo como eu, em persistir numa idéia de cada vez procurando canalizar sua energia criativa em prol dessa idéia e não de uma nova, afinal não estamos competindo pra ver quem da mais idéias. Pra mim outro momento delicado do processo foi quando chegamos à conclusão de que a coreografia inicial não servia mais. Trabalhamos por 3 meses nela. Foi importante “superar essa perda”. Cheguei a me sentir aliviada o que representa um amadurecimento pra uma virginiana. Ao final da primeira temporada nas regionais, os atores quiseram fazer o espetáculo com a coreografia, pra se despedir. Ali percebi meu amadurecido, pra mim, já era página virada, afinal, pra obra, não tinha mais sentido e isso é o que basta.

26 novembro, 2008

Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos – O processo

Tudo começou com uma música: “você me abre seus braços e agente faz um país”. A idéia de explorar o tripé: pai, país e paz. Depois disto, muito grupo de estudos sobre arte-educação, Paranismo, as colonizações paranaenses, Biocentrismo (nós somos o resultado de milhões de encontros) e claro a relação pai e filho, mas pensando também na relação com o nosso pai, algo intimo. Mas, paralelamente estudávamos as relações de poder (Focault), estudos diferentes, informações que se misturam e complementam.
O que é pai? Quem é o pai? Quem é o nosso pai? Qual a importância do pai?
O que falar do meu pai, se sou filha de mãe solteira? Algo tão delicado para ser mexido, para ser explorado, tanto em mim, como para o espetáculo... Conclusões que ficaram em mim desta primeira etapa: a presença do meu pai é tão forte como sua ausência.
Depois de muito estudo, muitos conflitos, muitas discussões, muitas informações. Chegou à hora de passar isso para o corpo, para o palco, as improvisações. Três atores que estão começando uma carreira profissional, que pela primeira vez participam de um processo de criação coletiva/ colaborativa, ou seja, muito difícil!! A busca por idéias criativas ou até mesmo a disputa (inconsciente) de quem dá mais idéia, ou as melhores idéias. No meio disto estava eu, sem idéia alguma! É até irônico pensar, mas eu me sentia assim, passiva, sem muitas idéias para sugerir, mas tentava embarcar nas propostas. Muitos momentos pegavam em questões internas minhas, não vivi historias com meu pai, como vou sugerir? Como falar do pai herói, se não acredito na existência desta figura? Com o auxilio e apoio do grupo, consegui quebrar muitas barreiras por um objeto comum “Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos”.
Cada co-diretor trabalhando um tema, cada um de uma forma, com focos diferentes, por suas afinidades em diferentes linguagens: visuais, coreográficas e/ou dramatúrgicas, etc. Varias cenas criadas, pareciam não se encaixarem, estéticas completamente diferentes. Mas com muita experiência e sensibilidade a nossa diretora Letícia Guimarães soube resolver muito bem este quebra-cabeça.
Criando cenas e criando personagens, que desde as primeiras improvisações mudaram muito. Como paralelamente estávamos trabalhando “A-Corda”, onde um dos focos é o corpo preciso, os personagens dos “Paizinhos” foram sendo criados com esta busca também. A precisão, onde começam e terminam os movimentos, movimentos pontuados até se tornarem orgânicos. A busca por características fortes de cada personagem, sons, vozes, corpos, resultado: “dor de Tinga”.
Espetáculo pronto nasce mais um filho da Cia do Abração. Acabou o processo? Não! Como todos os trabalhos da Cia, ele esta sempre sendo revisto, aprimorado, os atores vão tendo mais consciência do trabalho, os personagens vão criando mais vida, cada apresentação uma nova percepção.
Apesar de algumas dores internas e externas, conflitos, entre outros, depois do espetáculo “pronto”, faz perceber que tudo valeu a pena!

25 novembro, 2008

Em busca de uma crença

No começo muitas idéias, no meio muitas dificuldades, no fim muitas alegrias. Assim vejo o processo do nosso querido filhote que ainda tem muito a se desenvolver. Partimos de um tema pequeno, que parece delimitado, mas muito abrangente: PAI. Pensar no Pai não é tão fácil como pensar na Mãe. Há muitas metáforas que podemos centralizar no tripé PAI, PAZ E PAÍS, começando pela semente da vida, nosso pai, nosso semeador. Assim fomos desde o Biocentrismo à colonização paranaense, sem falar nas dificuldades dos filhos de mães solteiras... Meu pai, eu pensava que não sairíamos do lugar, mas saímos. Os primeiros dias de criação cênica foi um sofrimento, na verdade pode-se dizer que os primeiros meses foram sofridos. O teatro colaborativo pega muito lá no fundo dos sentimentos dos criadores, e muitas vezes entramos em crises existenciais. Tem-se que criar tudo, texto, personagens, cenas, e essa deve ser a explicação de todo o sofrimento.
Percebi que ao longo do processo precisamos adaptar as formas de condução. É imprescindível a sensibilidade da Direção durante o processo de criação. Assim fez a Letícia, usando de várias táticas de condução até achar a que mais encaixa no trabalho dos atores. Outro aspecto mais que importante são as influências que sofremos. Um espetáculo com vários criadores está à mercê de tudo que o cerca. Quem assiste hoje o espetáculo “Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos” percebe como o trabalho físico foi evidenciado, isso por trabalharmos simultaneamente em “A-corda”, com uma pesquisa de teatro físico com técnicas de precisão, conduzida pelo diretor paraguaio Wal Mayans.
Durante a pesquisa do espetáculo entramos em várias discussões sobre interpretação, manipulação de objetos, teatro para crianças, teatro de grupo. Convivíamos praticamente 24 horas por dia pensando exclusivamente nas obras que estávamos em criação. Isso causou várias crises, e uma conclusão: não é pra qualquer um o trabalho árduo de teatro de grupo, viver em grupo. Dividir as crenças, os amores, as tarefas. Criamos laços bem semelhantes aos laços familiares de parentesco, além da intimidade compartilhada.
Falando agora de teatro para crianças, a pesquisa mais sólida da Cia. do Abração, ressalto a descoberta da influência que temos na formação de opinião. É muito delicado o trabalho voltado principalmente às crianças mais jovens, aqueles que mais escutam e acreditam nos outros. Saber que cada um é um ser influenciável, mas único, é super importante. Não podemos falar ou mostrar qualquer coisa, não se pode pensar que eles não pensam, não podemos acreditar que eles estão ali, olhando nos nossos olhos, apenas pra passar o tempo. Temos uma missão muito valiosa, por isso não podemos banalizar o encontro sagrado (biocentrismo) que se concretiza no teatro. Cada coisa tem sua relevância, tudo o que vemos e sentimos existe para cumprir com alguma função ancestralmente fundada. Pensando nisso lembro-me dos cuidados e delicadeza do trabalho de manipulação de objetos, dar uma imensa relevância a um pequeno objeto, sem vida para muitos.
Podemos relacionar a manipulação e abstração de objetos com a sacralização do nosso ofício, da nossa arte. Fazemos teatro por uma necessidade mais que vital, fazemos por uma necessidade filosófica, antropológica e até religiosa. Se não tratamos o teatro com o esmero necessário, estamos banalizando nós mesmos, nossa maneira de pensar e viver. Assim descobrimos que trabalhar com objetos também requer uma relação de respeito e seriedade. Ao observar uma criança brincando com todo e qualquer objeto que encontra, vemos o quanto seus pensamentos pulsam, vemos o quanto a sua fé cresce a cada história que inventa. Esse é um momento de seriedade e que merece respeito, a criança não é boba não, pelo contrário é mais esperta que muitos adultos. Assim, é revoltante quando alguns “intelectuais” da classe artística menosprezam a nossa arte, não só quando falam mal dos que realmente pesquisam, mas quando apresentam às crianças de todas as idades obras superficiais que só aliena e vicia. Overdose de drogas pesadas.
Tenho muita consciência do quão é fácil falar o que pensamos. No processo de criação do “Paizinhos” estivemos em constante busca por tudo isso que discutimos, tiramos várias conclusões, teorizamos. Mas sei que é uma pesquisa que não tem fim, a cada dia nos transformamos, e a arte também. Fazemos um trabalho autêntico, nosso, afinal é feito por nós. Por isso que os momentos de reflexão e discussão são freqüentes na nossa pesquisa, uma pesquisa filosófica acima de outras coisas. Como o questionamento proposto pela Letícia: O que queremos deixar plantado pros nossos filhos? Do mesmo jeito que buscamos uma resposta para nosso singelo espetáculo, buscamos uma resposta para nosso caminho artístico, afinal tudo se reflete nas obras. Foi difícil, fomos imaturos muitas vezes, mas caminhamos pouco a pouco rumo a um ideal abstrato, que talvez Dionísio saiba onde está.

20 novembro, 2008

UMA CONCLUSÃO



Dentro do processo de “Muitos Paizinhos” duas fases se destacam: Uma fase teórica de discussões de mesa e outra prática e construção de cenas. Na primeira fase, a teórica, passou-se por temas que vão desde a colonização do Paraná e o movimento Paranista até a Teoria Biocêntrica e textos de Rubem Alves. A outra fase caracterizou-se por improvisações a cerca dos temas discutidos na fase anterior e construção das personagens do espetáculo.
Quando na primeira fase se levantou as etnias de influência na colonização do Estado do Paraná, de maneira muito descontraída e interessante realizou-se uma pesquisa que desencadeou em um jogo de produção de poemas e desenhos culminando em uma atividade prática inspirada na biodança, que manifesta artisticamente e em alguns casos até como terapia, a teoria biocêntrica. Também chamada de biocentrismo, esta teoria tem como base a manifestação do sagrado nas relações biológicas que existem entre todos os seres vivos existentes entre o céu e a terra. Ainda na primeira fase de nossa pesquisa discutiram-se aspectos e elementos iconográficos do movimento Paranista, que tinha por premissa ressaltar o amor ao nosso estado através das artes. Além disso, falou-se de arte-educação, leram-se textos de Rubem Alves e livros para crianças de vários autores que trouxeram mais a tona o assunto Pai em nossas conversas, levando diretamente ao tema mote, Pai. Contudo ainda produziram-se textos a cerca das relações pessoais de cada pesquisador com seu próprio pai, o que rendeu bastante material ao segundo momento dos trabalhos.
A segunda fase aproveitou-se muito dos materiais registrados que haviam sido levantados a cerca dos temas principais que gostaríamos de levar à cena. A música da banda Karnak “O Mundo”, trouxe Improvisos coreográficos que durante todo o processo serviu de tema de fundo ao assunto pai. O tema em questão era a desordem e o caos do mundo. E para dar um jeito neste mundo bagunçado só achando o pai dele, lançando-se a pergunta: quem é o pai do mundo? Hoje esta música já não aparece na sonoplastia do espetáculo, mas sua inspiração deu o ponta pé inicial nesta fase. Devido à falta de experiência dos atores, que eram os integrantes menos experientes do grupo profissional no formato de trabalho do processo coletivo e colaborativo, a direção geral investiu na idéia da co-direção, onde três assistentes orientaram a construção de cada uma das cenas diretamente com os atores. Cada co-diretor se utilizou das técnicas e linguagens que interessava e de que dispunham para conceber junto aos atores incentivando e inspirando-os a cada uma das cenas. Alguns dos temas lançados foram os tipos de pais: o ausente, o herói, o palhaço, o pai que tem dificuldade em dizer que ama, entre outros.
Percebo que meu trabalho como co-diretor deu-se de maneira efetiva no que diz respeito à orientação a uma construção das personagens devido à experiência como arte-educador, professor de teatro e direção amadora de alunos. O mesmo posso dizer com relação às cenas construídas a partir dos temas que me couberam e aos auxílios dados aos colegas co-diretores e à direção geral. Avalio como uma experiência que abre meu horizonte de desejos e projetos futuros dentro desta Cia, além de me instrumentalizar ao trabalho no núcleo amador da mesma. Quanto ao processo geral deste espetáculo percebo que o seu sucesso se deve ao casamento perfeito entre suas duas etapas e a escolha dos temas, muito pertinentes ao hoje do mundo, de nós mesmos e de nosso público.

01 novembro, 2008

EM BREVE ESTRÉIA O NOVO ESPETÁCULO DA CIA DO ABRAÇÃO


“Tolerância é o respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade
das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras
de exprimir nossa qualidade de seres humanos. É fomentada pelo conhecimento, a
abertura de espírito, a comunicação e a liberdade de pensamento, de consciência
e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. Não só é um dever de ordem
ética; é igualmente uma necessidade política e jurídica. A tolerância é uma
virtude que torna a paz possível e contribui para substituir uma cultura de
guerra por uma cultura de paz.”
- Unesco 2005 -

O Grupo de Pesquisas Cênicas da Cia. do Abração estréia para o público curitibano de crianças de todas as idades, o seu mais novo espetáculo: “Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos”, no próximo sábado, dia 15 de novembro, às 18:00 horas, na sede da Cia. do Abração.

O foco temático apresentado na peça é a relação entre pais e filhos, ressaltando o respeito que devemos ter pelas diferenças individuais de cada ser humano, quer seja ele pai ou filho.

Os “Tingas”, três simpáticos e oníricos personagens, buscam um Pai, um norte que oriente para a escolha de caminhos e “dê um jeito” no mundo, que todos temos o dever de cuidar. Nesta estória de afeto e respeito à diversidade de um mundo “bagunçado” apresentam-se às crianças várias figuras paternas desde o pai biológico ao adotivo, aquele que educa em casa e na escola, o pai escolhido por afinidade e até mesmo a própria “mãe-pai”, entre outras diversas formas de afeto paternalista. De forma lúdica, se possibilita a compreensão de diferentes aspectos da relação pai e filho, de suas abstrações e metáforas.

“Estórias Brincantes de Muitos Paizinhos” é a valorização da diversidade cultural de uma terra/nação, e de cada um de nós, em particular, como resultado do encontro entre o semeador e a terra, o pai e a mãe. Uma viagem lúdica ao interior de nossa terra e de nós mesmos, através de histórias de Pais e Países. Uma brincadeira de encontros e amores com nossa identidade. E, a certeza de que ser pai é antes de tudo uma celebração da vida, do amor e do sagrado.

ESTÓRIAS BRINCANTES DE MUITOS PAIZINHOS
Realização: Cia do Abração
Direção: Letícia Guimarães
Elenco: Carolina Mascarenhas, Moira Albuquerque e Simão Cunha.
Data: de 15 de novembro a 14 de dezembro
Horário: Sábados ás 18h e domingos às 16h
Local: Sede da Cia do Abração – Sala Simone Pontes
Rua Paulo Ildefonso Assumpção, 725 - Bacacheri
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00(meia)

22 outubro, 2008

Nasceu!!!!

19 agosto, 2008

HERANÇA


Pergunto a quem queira declarar: O que queremos deixar plaintado aos nossos filhos?

Os pais nascem juntos com os filhos.



Parafraseando uma fala do filme "A glória de meu pai" de Yves Robert (1990) que eu AINDA não vi, mas já ouvi muitos comentários e por isso recomendo. Somos o pai que ama, pai que esquece, pai que ri e chora, pai que dá presente, o não presente, pai verde, laranja, que só quer dar carinho, pai de aço cheio de ação, pai que vira criança, pai solução e problemão. Uma grande plaintação nosso Paizinhos, nossa colcha de retalhos Pairaná. Somos estes pais, passeamos por países e buscamos a paz com nossas palavras, olhares e gestos.

13 junho, 2008

Trilhas e versos


Pesquisando encontrei no blog “Trilhas e Versos” a seguinte postagem que me surpreendeu por motivos óbvios. Aproveito e coloco aqui os desenhos feitos na vivência da Araucária, árvore Pai.


Sobre meu pai , Neruda e as araucárias...

Meu pai era gaúcho, da cidade de Guaporé, mas foi criado em uma colônia agrícola do interior de Santa Catarina. Fez seus estudos em Curitiba e, ainda que se considerasse paulista de coração... Nunca esqueceu suas raízes nem seus hábitos de homem do interior. Meu pai foi um economista de mãos fortes e calejadas, um empresário que soube cair e levantar todas às vezes, e sua imagem para mim se confunde com as das grandes e soberbas árvores que ele tanto admirou.

Hoje de tarde, folheando o livro Canto Geral, de Pablo Neruda - comprei baratíssimo, quase novo, num sebo aqui perto, encontrei um lindo poema sobre a ARAUCÁRIA, a árvore preferida de meu fofo pai.

Todo o inverno, toda a batalha,
todos os ninhos do molhado ferro,
em tua firmeza atravessada de aragem,
em tua cidade silvestre se levantam.

O cárcere renegado das pedras,
os fios submersos do espinho
fazem de tua aramada cabeleira
um pavilhão de sombras minerais.

Pranto eriçado, eternidade da água,
monte de escamas, raio de ferraduras,
tua atormentada casa se constrói
com pétalas de pura geologia.

O alto inverno beija a tua armadura
e te cobre de lábios destruídos
a primavera de violento aroma
rompe a tua sede em tua implacável estátua:
e o grave outono espera inutilmente
derramar ouro em tua estatura verde.


Não preciso dizer mais nada.





A gestação vai bem, obrigado.

Começamos a ensaiar, parece um alívio para todo criador agregar a prática mental a prática corporal. Aquecer o corpo, criar as personagens, transformar em cena o que tanto pensamos, discutimos, intuimos... um alívio. Será? Assusta, mas nem tanto. É nessa hora que vemos o quanto valeu toda o trabalho de mesa, o quanto estamos abastecidos para criar. Nossa equipe, na segunda semana de ensaios, já enxerga com mais tranquilidade o futuro espetáculo. O trabalho caminha para uma das etapas mais empolgantes: a concretização das idéias, a "materialização dos devaneios", como diria a amiga antropóloga Selma Baptista. Os criadores estão a todo suor, dedicados para ver nosso Paizinhos ganahando a vida. Mais alguns meses de gestação e mais um filho virá à luz do palco.

Toda família gosta de ver as imagens de um bebê na barriga da mãe, principalmente os pais, então no melhor estilo "ecográfico" as primeiras imagens:



03 junho, 2008

LIXO, CRIATIVIDADE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Resenha baseada no texto “Lixo, criatividade e educação ambiental” de Amália Trivellato, do livro “O teatro dito infantil”.

Falar sobre o lixo e as ações cotidianas sobre ele, sem dúvida já estão marteladas na cabeça de todos nós. Já estamos programados para separar o lixo e sem esquecer de antes de colocar na sacolinha dar uma “lavadinha” no lixo reciclável. (Parabéns para nós). Assim como nós curitibanos, também estamos quase todos programados a encher nossas vidas de arte. Todo Festival de Teatro de Curitiba assistimos um espetáculo com o mocinho da novela das 8 (Parabéns novamente).

E nós artistas estamos programados para que? Pra ensinar pré-escolares a colocar plástico no lixo vermelho e limparem o bumbum? Ou simplesmente remontarmos grandes clássicos depois de assistir o DVD da historinha?

Nossas crianças já são abarrotadas de informação de plástico no vermelho e de como limpar o bumbum. E esta informação vem de onde? Muitas vezes da própria TV. Nossa tão desgraçada e tão necessária TV: “Educação. Você vê por aqui”, plim, plim “Plástico no vermelho. Você você vê por aqui”. Mas é claro, sem nunca esquecer : “Pai, não esqueça da minha Caloy”, “Compre batom”, “E não esqueça também do meu PlayStation 7”. E acho que isso também vale para a arte para crianças, (ou a arte é única e para todas as idades?). Acho que o bom e velho exemplo vale mais que um milhão de ensinamentos.

O quanto nós artistas queremos viver num lugar, onde muitas vezes o valor atribuído a um indivíduo refere-se ao seu poder de compra? Ou o quanto queremos viver numa sociedade onde reutilizar é entender a vida de uma nova forma? Pois o lixo, de alguma maneira, nos traz a lembrança da morte, que para nossa sociedade é assunto pouco elaborado e até negado.

Recriar a vida, reviver a arte, renascer na morte. O quanto no lixo de casa “tem um miserável” esperando nossa piedade? O quanto do lixo do mundo nós damos por morto e o “coitadinho” nem teve a chance de nascer? E até, o quanto de nós mesmos simplesmente jogamos fora, quando ele só precisa morrer dentro da gente pela noite, pra de manhã já ter aprendido a renascer.

30 maio, 2008

O ARTÍSTICO E O PEDAGÓGICO ONTEM E HOJE NO TEATRO PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE

Resenha de artigo de mesmo nome de José Ronaldo Faleiro do livro “O Teatro dito infantil”, publicação do FENATIB. Nele o autor baseia-se em um artigo francês intitulado “Relação pedagógica ou de igualdade?” de Gerard LEFÉVRE de 1974, e procura fazer uma relação com a atualidade. Descrevo e comento aqui o que considero de interesse aos nossos trabalhos.

Aponto em primeiro plano o que o autor descreve como os motivos pelos quais os grupos se dirigem ao teatro pedagógico. Um deles é que este gênero está relacionado diretamente com o ensino e com a escola, menos pela vontade dos criadores e mais pela necessidade econômica e pelo retorno financeiro deste tipo de público. Outra hipótese levantada por Faleiro, é o desejo do adulto de querer transmitir um saber à criança, aproximando-se mais da relação professor/aluno, detentores de um conhecimento, do que da relação criador/espectador, prontos a trocar conhecimento. Geralmente, como comentamos na discussão em mesa, vemos produções em larga escala que percorrem os espaços escolares cobrando valores ínfimos e oferecendo qualidade idem, assim como os assuntos abordados nestas peças dizem mais respeito ao que se supõe importante para “educar” as crianças e ao que se “vende” mais, do que pelo interesse ou pela crença do criador na importância do tema.

Concordo com o autor quando chama a atenção para que as produções para crianças tenham mais cuidados técnicos e artísticos do que o dispensado às produções para adultos, e que estas superem o teatro moralizador e infantilizante. Destaco a afirmação dele de que nenhum tema precisa ser excluído das peças para a infância e juventude. Há que se esmerar nas maneiras de falar a este público, de se aproximar dele, uma vez que estes têm pouca ou nenhuma autonomia quanto aos espetáculos que vão assistir, visto que quase sempre são os pais ou os professores quem escolhem o espetáculo que vai “educar” ou “passar uma mensagem” à criança.

No entanto, o problema apontado é que nem sempre os objetivos pedagógicos vislumbrados pelos criadores são recebidos ou percebidos pelas crianças como eles gostariam. Para esta questão lança uma pergunta: A criança pode dominar o fenômeno de distanciamento no espetáculo? Não irá ela sempre buscar a identificação com a personagem? Partindo disso, Faleiro conclui que o fundamental para o teatro artístico pedagógico será sempre a seriedade de propósitos e a qualidade de resultados em seus objetivos. A mídia, o cinema, a televisão, os videogames já estão cheios de embrutecimento e desenvolver uma acuidade sensorial é necessidade de todos nós, criadores de teatro para crianças.

Superar preconceitos e explicitar paixões

Resenha do artigo de Valmor Beltrame ( Ními), do livro Teatro Dito Infantil.

O teatro para crianças até hoje é visto com preconceito, até a própria classe artística, com algumas excessões, diz que esta linha de trabalho é para atores despreparados ou com pouco talento, pois é para um público menos exigente.
É muito comum acharem que crianças são mini adultos, que devemos ensinar para a principal fase da vida, a adulta, esquecendo que cada etapa da vida humana tem seu aprendizado.
Com esta idéia de educar as crianças, muitas peças teatrais destinadas a elas tem um cunho pedagógico, falando de moral e ética. Mas é também pedagógico estimular a reflexão, a dúvida.
Para se realizar qualquer gênero teatral, deve-se primeiro livrar-se dos preconceitos, pois como diz Dario Fo: "Com o preconceito impede a possibilidade de aprender o oficio de realiza-lo com dignidade, impossibilitando de conviver com as diferenças"
Qualquer linha teatral, adulta ou infantil, deve-se suscitar duvidas, desmontar certezas, questionar visões tidas como verdade acabadas. Ludicidade e poesia são elementos indispensáveis para qualquer obra teatral.
Abandonar o compromisso de encenar para idades determinadas, trazer ao palco temáticas sem a preocupação de que o público tenha o mesmo e único entendimento.
Para finalizar quero deixar uma fala do educador italiano Gianni Rodari : é preciso antes de tudo respeitar a criança como tal e não se aproveitar da nossa superioridade de adulto para impor nossas idéias e convicções. Eu entendo por paixão a capacidade de resistência; a intransigência em negar a hipocrisia sob qualquer forma em que se apresente; a vontade de agir e ser o que se é; a coragem de sonhar alto; a consciência do dever que temos, enquanto homens, de mudar o mundo para melhor, sem nos contentar com as medíocres mudanças aparentes; a coragem de dizer não sobretudo quando seria mais cômodo dizer sim; a coragem de não fazer como os outros, mesmo que seja preciso pagar por isso; a arte para crianças deve, sobretudo, demonstrar nossas paixões".

24 maio, 2008

SOBRE O ENCONTRO DE 22 DE MAIO

Comentamos sobre os desejos e rejeições sobre a expectativa deste novo espetáculo. Analisamos as propostas a respeito de conteúdos, abordagens e algumas sugestões estéticas e de imagens. Ficou claro que concordamos sobre o que falar e como falar, mas faltou-nos refletir para quem iremos falar...para que criança estaremos falando?

Como já havia comentado com Simão, acredito que precisamos aprofundar a discussão sob o ponto de vista da arte-educação. O que acreditamos ser um bom teatro para crianças? Quais deverão ser as nossas preocupações?

Sugeri a leitura da compilação O TEATRO DITO INFANTIL, do FENATIB. Ficou acertado que cada pesquisador, livremente, escolherá um tópico desta compilaçlão e elaborará uma resenha.

Ainda aguardamos as propostas de estórias sobre os Paizinhos.

O que ficou em cada um de vocês sobre este encontro?